domingo, 6 de dezembro de 2015

caminho


Trigos amarelos desciam até a estrada
O sol dourava ainda mais teu semblante
Gotas de suor, lágrimas alegres 
Você seria meu ramo de louro
Perfume de jasmim, temperamento tranquilo
E eu seria o desequilíbrio

Meu corpo era alquebrado porque precisava pouco
Antes de você
Nenhuma estrela caiu, o mundo era o de sempre
Mas depois o frio e o calor nem sei
Como dizer que nada mais existia
Só a música da tua voz e o toque da tua boca
Aberta para o precipício 
Sob a pele e sob a pele outra vez
Cada dia 
Até o fim










sexta-feira, 27 de novembro de 2015

naufrágio





não existe volta, só ida 
diante do abismo da alma 
eu odeio minha paixão suicida  

mergulhei o coração na dúvida

posso ser uma deusa

e posso ficar presa 
no meu próprio desejo 
naufragado
 







sábado, 14 de novembro de 2015

the broken circle breakdown



                                                                                foto do filme The Broken Circle Breakdown






Deixei meu coração debaixo da ponte
Deixei lá, onde passa o nosso rio azul
Enterrado entre as pedras, na corrente gelada e pura
E o vento mexe no feno, atiça as folhas
Entre os cavalos selvagens e suas crinas loucas
E a memória de nós dois juntos me apavora
Por causa daquela beleza toda
A vida te arranca da felicidade, Monroe
E por isso sou Alabama agora.



(poema inspirado no filme)

quinta-feira, 29 de outubro de 2015

Camille

                                                            arte de Wiola Stankiewicz




 

na hora mais escura da madrugada
enterrei meu homem
tirei-o à força de dentro de mim



tumbas desfilavam nos meus olhos ávidos pela sua morte
queria depositar meu ódio o mais rápido possível



e atrás das grades
o passado voando como um pássaro







quarta-feira, 21 de outubro de 2015

sonho...




Os vagabundos estão nus
A cidade está
Nem sol nem céu nem luz
Vou dar o fora daqui agora
Voar para a vida inventada



domingo, 11 de outubro de 2015

fuga noturna nº 1






  lembra daquela noite
  distúrbios & assombros
  entre luzes incandescentes e a saída de incêndio?

  ah, você deve lembrar
  nossos corpos exaustos, depois da chuva
  os cérebros dissolvidos pela carruagem do ópio
  nossas almas entrelaçadas no divino
  naquele pulsar tremendo, de uma vida sem rumo

 e você consegue prosseguir
 dentro dessa memória Louca
         por tanto tempo, desajustados e felizes?

  ah! que solução aquela
  engambelar  leis & policiais
  o mundo real e as anedotas dos outros
  sobre o que se deve ou não fazer
  e nós dois esmiuçando o vinho
  deleitando-se na contramão


 pela manhã uma maçã roubada
 um café deixado no cordão da calçada
 mendigos & vagabundos em sinfonia


  quantos minutos seria preciso
  para embasbacar mais uma vez teu desejo
  quantos quilômetros terei de percorrer
  para chegar no teu paraíso
  onde condenados nos acertamos
  nesse terrível som do prazer?

  
















foto: filme Drugstore Cowboy de Gus Van Sant
música: Patti Smith ( about a boy )

quinta-feira, 8 de outubro de 2015

cordéis urbanos





A poesia do subúrbio no Rio de Janeiro
Não tem sinal vermelho
Ou vem com tudo, ou não vem
Oferenda máxima engolida