sábado, 6 de fevereiro de 2016

no sofá






caindo vertiginosamente para aquele tédio acumulado
horas a fio na monotonia de um vídeo
quem sou eu se não aqueles personagem multifacetados
quem sou eu se não a velocidade

recarga dionisíaca nunca mais
apenas um start again
subtrai-me essa noite de estrelas

confesse, que nunca havias pensado
que o tédio pode ser veloz 



quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

longe












o vento uiva pelas janelas
e as frestas abandonam-se
como entidades mitológicas, ganham vida
invencível é a vontade de palavras
enquanto acreditar nessa força
na loucura do vento, e das horas que seguem
em frente ao papel branco, vazio, insano
não estou diante da máquina, estou absorvendo
as lufadas dessa agitação pelos poros
nas possibilidades que provocam minhas mãos



segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

migrar...





de algum santuário desconhecido
vibram sinos por trás do tráfego e dos prédios
o sol investe contra a cinzenta cidade, morros distantes gritam
pássaros nômades por cima de minha cabeça
e a internet me aguarda, obcecada
pesquiso sobre aves migratórias
quero confabular com essa natureza
ao lado do albatroz um automóvel
ao lado de um ganso selvagem um videogame
ao lado de um cisne um comercial que pula
e ouço dicas para perder peso, e tenho de esperar
analiso meu corpo, deixo a mente parada
volto para a sacada e eis que meus queridos amigos se foram...






quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

Fuga nº 1







                                                                 cena do filme Os Incompreendidos de François Truffaut




estou diante da cidade
nua como a poesia dos visionários
bardos e sacerdotisas em suas danças
mutantes selvagens lutando contra os ciborgues
inspirada pelas musas exorcizadas do concreto
pela beleza de um anjo delgado, verde
substituindo a realidade vulgar






domingo, 6 de dezembro de 2015

caminho


Trigos amarelos desciam até a estrada
O sol dourava ainda mais teu semblante
Gotas de suor, lágrimas alegres 
Você seria meu ramo de louro
Perfume de jasmim, temperamento tranquilo
E eu seria o desequilíbrio

Meu corpo era alquebrado porque precisava pouco
Antes de você
Nenhuma estrela caiu, o mundo era o de sempre
Mas depois o frio e o calor nem sei
Como dizer que nada mais existia
Só a música da tua voz e o toque da tua boca
Aberta para o precipício 
Sob a pele e sob a pele outra vez
Cada dia 
Até o fim










sexta-feira, 27 de novembro de 2015

naufrágio





não existe volta, só ida 
diante do abismo da alma 
eu odeio minha paixão suicida  

mergulhei o coração na dúvida

posso ser uma deusa

e posso ficar presa 
no meu próprio desejo 
naufragado
 







sábado, 14 de novembro de 2015

the broken circle breakdown



                                                                                foto do filme The Broken Circle Breakdown






Deixei meu coração debaixo da ponte
Deixei lá, onde passa o nosso rio azul
Enterrado entre as pedras, na corrente gelada e pura
E o vento mexe no feno, atiça as folhas
Entre os cavalos selvagens e suas crinas loucas
E a memória de nós dois juntos me apavora
Por causa daquela beleza toda
A vida te arranca da felicidade, Monroe
E por isso sou Alabama agora.



(poema inspirado no filme)