Tens de aproveitar o inverno porque no
próximo verão estarás mais velho
segunda-feira, 9 de setembro de 2019
segunda-feira, 15 de julho de 2019
passeio
piquenique de sorrisos
nas pirâmides do McDonald's
mortos pelas câmeras
de segurança e fotossíntese
de automóveis pelas vias
respiratórias, embora Você
tenha dito que Gostava disso
do gosto de esperma no asfalto
segunda-feira, 29 de abril de 2019
terça feira, 6:29 da manhã
pequenos frutos vermelhos
do outro lado da janela
pássaros que desconheço
cantam o amanhecer
e as lembranças de segundos atrás
me fazem escrever
é tudo tão delicado ali fora
delicado na pele
meu coração se apodera
de todo o meu corpo
ardendo um fogo sem fim
só de saber que você
dormiu aqui
dentro de mim
e o amanhecer hesita
nenhuma brisa chega nas folhas
os galhos se entrelaçam
meus olhos umedecem fixos
na natureza lá fora
quase dentro do meu quarto
aberto para o mundo
quarta-feira, 17 de abril de 2019
etéreo
teu corpo
ainda está no meu
e nossas
almas dançam
a música que
nos segue
no meu mar
a volúpia
das ondas
brota do teu
ventre
é a constância
do ritmo
aprisionado
nessa dualidade
até
desaparecer
no sonho sem
tempo
e o que eu
faço com essas estrelas
é mergulhar
no infinito
sexta-feira, 22 de fevereiro de 2019
túneis infindáveis # 2 - depois do mar
vejo nossos corpos, nossas almas
qualquer coisa etérea, volátil como uma música na memória
a melodia permanece, seu ritmo, a ideia que te fisga
mas reina o silêncio
somente as vezes o zumbido da lembrança
meu ombro salgado pelo mar
antes na água
agora sentindo a tua respiração,
morna
lateja com teu corpo
eu sei, é uma imaginação
como aquelas visões nos filmes
ou quem sabe ficção científica
tempos se confundem, mas o amor esta ali
quando iniciou não sabemos
até onde vai, como percorre os caminhos que se abrem
fecham
bifurcam
como um jardim erguido por cima da cidade
das ruas
e onde placas esquizofrênicas apontam para todas as direções
possíveis
e da rosa dos ventos, apenas uma vaga sensação de livre
arbítrio
que é quase um perigo
vejo a casinha de praia, verde
o capim seco pelo sol quase até o alpendre
as janelas semicerradas
apenas espaço para a brisa entrar
sombra protegendo os amantes
raios escapam pelas venezianas
dilatam meus lábios, enchem teus cílios de luz refletida
o sal está em nós
a água permanece ali
o mergulho foi intenso
eu agarro você sem culpa
quase violenta eu sou, de poesia gótica
no cerne do verão
contradição deliciosa
nunca mais havia me sentido assim
ser tão eu enquanto mais me confundo
quinta-feira, 24 de janeiro de 2019
túneis infindáveis # 1
eu escreveria sobre a paixão, mas não
estar apaixonada é outra coisa, as palavras nos traem
não que eu não vá
escrever, como estou agora
não que eu não vá
me trair
lançando meu anonimato nas redes
pervertendo o meu silêncio
e ser engolida pelo mar intenso
aquela onda entre o concreto do chão e os muros
e das árvores que crescem e sustentam o vento
perpetuando a imagem nas folhas que caem
um cheiro de ostra, algas e sal
espuma quase real
não que eu não vá
abrir meu coração em pedaços
juntar os cacos das poucas lembranças
é verdade que a intuição existe
segredos a 7 chaves
sem sossego
até que
até que eu chegue no início
do caminho para o teu desejo
jeans azul, colado
nas pernas erguendo-se, filtrando a passagem do sol
passos firmes, indo para algum lugar desconhecido
e eu envenenada pela minha própria invenção
de que agora é só você que importa
imensa dor cheia de prazer
intranquilo amor nascendo
sob a dúvida da realidade
verdade
ilusão
repetição de frases
palavras bobas
louca
louca
louca
mas nem por isso
não que eu não vá
me trair
lançando meu anonimato nas redes
pervertendo o meu silêncio
e ser engolida pelo mar intenso
aquela onda entre o concreto do chão e os muros
e das árvores que crescem e sustentam o vento
perpetuando a imagem nas folhas que caem
um cheiro de ostra, algas e sal
espuma quase real
não que eu não vá
abrir meu coração em pedaços
juntar os cacos das poucas lembranças
é verdade que a intuição existe
segredos a 7 chaves
sem sossego
até que
até que eu chegue no início
do caminho para o teu desejo
jeans azul, colado
nas pernas erguendo-se, filtrando a passagem do sol
passos firmes, indo para algum lugar desconhecido
e eu envenenada pela minha própria invenção
de que agora é só você que importa
imensa dor cheia de prazer
intranquilo amor nascendo
sob a dúvida da realidade
verdade
ilusão
repetição de frases
palavras bobas
louca
louca
louca
mas nem por isso
não que eu não vá
escrever, como estou agorasexta-feira, 31 de agosto de 2018
leia-me
escrevo palavras no computador
na tela branca as letras vão cavando um
tempo
para trazer você de volta
desse mundo oculto onde estás morando
permita que o ritmo dessa linguagem
traga algum segredo de cura
leia, delete depois, não importa
mas sobreviva na minha poesia
viva as ruas, sem medo dos fantasmas
esses seres de espírito complexo
que só aparecem para quem sente o cérebro
como um fogo
saia de tua caverna, te peço
sinta o vento de um outono vibrando
as aves migram e surgem marcando o céu
vultos negros como as letras aqui
rompem espaços na memória
é tudo o que temos, a memória
ela vai e vem, loucamente
e o amor
ele permanece mesmo que solitário
porque dito isso, ele cria imagens pela
minha vontade
e ela ataca os males da insanidade desse
mundo
cegos estamos, talvez sejamos mais livres
do que imaginamos
escrevo porque quero ser lida
e assim com outros olhos
leia-me
acorde
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