Eu vi o sol morrer no meu mar
predileto, morrer com as antigas lembranças. Afundando vermelho naquele azul
frio, profundo. O entardecer deixando as coisas avermelhadas até me cegar
completamente as ideias. E perdendo a intenção da lógica, pouco antes experimentada apesar de breve,
pensei, aonde mais eu poderia ir com aquele mar? As ondas estavam calmas
naquela hora e suas pequenas cristas chegavam incessantemente na minha frente,
uma seguindo a outra sem interrupção. Um vento atingia meu rosto, espalhava meus cabelos e raspava na
espuma, traindo aquele ir e vir, empurrando para o ar gotas transparentes. Era
uma esperança que em vão eu via na natureza. Era só uma visão. Mas meu coração sentia diferente, queria permissão para a saudade se instalar confortavelmente e se perder nela. Eu acabara de deixar uma
vida para trás, e ainda assim sabia que a abandonada era eu.
sábado, 30 de abril de 2016
segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016
noturno
COMO
UM VAMPIRO
COM
INTENÇÃO
DE
SANGUE
SAUDADE
DO TEU
TRANQUILO
PULSAR
VEIAS
COM VIDA
SALTANDO
PARA
A
MORTE
DO
PRAZER
QUE
ENCERRA
TODO
O SEGREDO
EM
NOITES
SECRETAS
E MORNAS.
sábado, 6 de fevereiro de 2016
no sofá
caindo
vertiginosamente para aquele tédio acumulado
horas
a fio na monotonia de um vídeo
quem
sou eu se não aqueles personagem multifacetados
quem
sou eu se não a velocidade
recarga
dionisíaca nunca mais
apenas
um start again
subtrai-me
essa noite de estrelas
confesse,
que nunca havias pensado
que
o tédio pode ser veloz
quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016
longe
o
vento uiva pelas janelas
e
as frestas abandonam-se
como
entidades mitológicas, ganham vida
invencível
é a vontade de palavras
enquanto
acreditar nessa força
na
loucura do vento, e das horas que seguem
em
frente ao papel branco, vazio, insano
não
estou diante da máquina, estou absorvendo
as
lufadas dessa agitação pelos poros
nas
possibilidades que provocam minhas mãos
segunda-feira, 25 de janeiro de 2016
migrar...
de algum santuário desconhecido
vibram sinos por trás do tráfego e dos prédios
o sol investe contra a cinzenta cidade, morros distantes gritam
pássaros nômades por cima de minha cabeça
e a internet me aguarda, obcecada
pesquiso sobre aves migratórias
quero confabular com essa natureza
ao lado do albatroz um automóvel
ao lado de um ganso selvagem um videogame
ao lado de um cisne um comercial que pula
e ouço dicas para perder peso, e tenho de esperar
analiso meu corpo, deixo a mente parada
volto para a sacada e eis que meus queridos amigos se foram...
quinta-feira, 17 de dezembro de 2015
Fuga nº 1
cena do filme Os Incompreendidos de François Truffaut
estou diante da cidade
nua como a poesia dos visionários
bardos e sacerdotisas em suas danças
mutantes selvagens lutando contra os ciborgues
inspirada pelas musas exorcizadas do concreto
pela beleza de um anjo delgado, verde
substituindo a realidade vulgar
domingo, 6 de dezembro de 2015
caminho
Trigos
amarelos desciam até a estrada
O
sol dourava ainda mais teu semblante
Gotas
de suor, lágrimas alegres
Você
seria meu ramo de louro
Perfume
de jasmim, temperamento tranquilo
E
eu seria o desequilíbrio
Meu corpo era alquebrado porque precisava pouco
Antes
de você
Nenhuma
estrela caiu, o mundo era o de sempre
Mas
depois o frio e o calor nem sei
Como
dizer que nada mais existia
Só
a música da tua voz e o toque da tua boca
Aberta
para o precipício
Sob
a pele e sob a pele outra vez
Cada dia
Até o fim
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