segunda-feira, 15 de julho de 2019

passeio





piquenique de sorrisos
nas pirâmides do McDonald's
mortos pelas câmeras
de segurança e fotossíntese
de automóveis pelas vias
respiratórias, embora Você
tenha dito que Gostava disso
do gosto de esperma no asfalto




segunda-feira, 29 de abril de 2019

terça feira, 6:29 da manhã


pequenos frutos vermelhos
do outro lado da janela

pássaros que desconheço
cantam o amanhecer

e as lembranças de segundos atrás
me fazem escrever

é tudo tão delicado ali fora
delicado na pele



meu coração se apodera
de todo o meu corpo

ardendo um fogo sem fim

só de saber que você
dormiu aqui

dentro de mim



e o amanhecer hesita
nenhuma brisa chega nas folhas

os galhos se entrelaçam

meus olhos umedecem fixos
na natureza lá fora
quase dentro do meu quarto

aberto para o mundo



quarta-feira, 17 de abril de 2019

etéreo


teu corpo ainda está no meu
e nossas almas dançam
a música que nos segue

no meu mar
a volúpia das ondas
brota do teu ventre

é a constância do ritmo
aprisionado nessa dualidade
até desaparecer

no sonho sem tempo

e o que eu faço com essas estrelas
é mergulhar no infinito




sexta-feira, 22 de fevereiro de 2019

túneis infindáveis # 2 - depois do mar




vejo nossos corpos, nossas almas
qualquer coisa etérea, volátil como uma música na memória
a melodia permanece, seu ritmo, a ideia que te fisga
mas reina o silêncio
somente as vezes o zumbido da lembrança

meu ombro salgado pelo mar
antes na água
agora sentindo a tua respiração,
morna
lateja com teu corpo

eu sei, é uma imaginação
como aquelas visões nos filmes
ou quem sabe ficção científica
tempos se confundem, mas o amor esta ali
quando iniciou não sabemos
até onde vai, como percorre os caminhos que se abrem
fecham
bifurcam
como um jardim erguido por cima da cidade
das ruas
e onde placas esquizofrênicas apontam para todas as direções possíveis
e da rosa dos ventos, apenas uma vaga sensação de livre arbítrio
que é quase um perigo

vejo a casinha de praia, verde
o capim seco pelo sol quase até o alpendre
as janelas semicerradas
apenas espaço para a brisa entrar
sombra protegendo os amantes
raios escapam pelas venezianas
dilatam meus lábios, enchem teus cílios de luz refletida
o sal está em nós
a água permanece ali
o mergulho foi intenso
eu agarro você sem culpa
quase violenta eu sou, de poesia gótica
no cerne do verão
contradição deliciosa
nunca mais havia me sentido assim
ser tão eu enquanto mais me confundo







quinta-feira, 24 de janeiro de 2019

túneis infindáveis # 1




eu escreveria sobre a paixão, mas não
estar apaixonada é outra coisa, as palavras nos traem
não que eu não vá
escrever, como estou agora
não que eu não vá

me trair
lançando meu anonimato nas redes
pervertendo o meu silêncio
e ser engolida pelo mar intenso
aquela onda entre o concreto do chão e os muros
e das árvores que crescem e sustentam o vento
perpetuando a imagem nas folhas que caem 

um cheiro de ostra, algas e sal
espuma quase real

não que eu não vá
abrir meu coração em pedaços
juntar os cacos das poucas lembranças

é verdade que a intuição existe
segredos a 7 chaves
sem sossego
até que
até que eu chegue no início
do caminho para o teu desejo

jeans azul, colado
nas pernas erguendo-se, filtrando a passagem do sol
passos firmes, indo para algum lugar desconhecido
e eu envenenada pela minha própria invenção
de que agora é só você que importa

imensa dor cheia de prazer
intranquilo amor nascendo
sob a dúvida da realidade
verdade
ilusão
repetição de frases
palavras bobas
louca
louca
louca

mas nem por isso
não que eu não vá
escrever, como estou agora









sexta-feira, 31 de agosto de 2018

leia-me



  
escrevo palavras no computador
na tela branca as letras vão cavando um tempo
para trazer você de volta
desse mundo oculto onde estás morando

permita que o ritmo dessa linguagem
traga algum segredo de cura
leia, delete depois, não importa
mas sobreviva na minha poesia

viva as ruas, sem medo dos fantasmas
esses seres de espírito complexo
que só aparecem para quem sente o cérebro como um fogo 

saia de tua caverna, te peço
sinta o vento de um outono vibrando

as aves migram e surgem marcando o céu
vultos negros como as letras aqui
rompem espaços na memória
é tudo o que temos, a memória
ela vai e vem, loucamente
e o amor
ele permanece mesmo que solitário
porque dito isso, ele cria imagens pela minha vontade
e ela ataca os males da insanidade desse mundo
cegos estamos, talvez sejamos mais livres do que imaginamos

escrevo porque quero ser lida
e assim com outros olhos
leia-me
acorde




quinta-feira, 14 de junho de 2018

sou o teu fantasma



se você acreditar em mim
um fogo moverá as pedras
nesse chão que construiram
para nós

pense,
podemos correr para o fundo 

dentro

o mais profundo de tudo
nessa festa
que corta o tempo

destaca as máscaras e nos desnuda

e os oceanos engolem
a nossa mente